sexta-feira, 11 de junho de 2010

Interrogação

Não sei se isto é amor 
Procuro o teu olhar
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo
E apesar disso, crê! Nunca pensei num lar
Onde fosses feliz e eu feliz contigo
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa do Cântico dos cânticos
Se é amar-te não sei
Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de inverno
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva que provoca
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembro jamais de te beijar na boca
Eu não sei se é amor
Será talvez começo…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
Autor Desconhecido - 1920

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