sexta-feira, 19 de agosto de 2011

- Uma Flor Solitária -

Dormi em teus braços entregando-lhe a paz do meu sono profundo. Confiei-lhe verdades. Confessei-lhe segredos íntimos. Demorei a perceber que seria difícil retirá-lo daqui de dentro.
Seu cheiro pairava nos meus lençóis quando levantei sobressaltada por não senti-lo mais ao meu lado. Por um momento pensei que tivesse sonhado, mas o meu corpo ainda trazia a impressão do seu. Eles se encaixaram noite passada, como feitos um para o outro. Era verdade.
Eu estava descabelada, sem escovar os dentes e vestindo apenas um lençol enquanto andava pela casa a sua procura. Você não estava mais lá e eu me forcei a tomar um banho, vestir alguma coisa e seguir em frente lutando contra a enorme vontade de me encolher a posição fetal na cama e me perguntar o porque da sua partida inesperada.
À mesa da cozinha eu bebia um café forte tentando encontrar energia para o dia inteiro. Alguém tocou a campanhia e eu fui atender me perguntando quem diabos viria a essa hora da manhã...Era você do outro lado da soleira da porta com um sorriso absurdamente encantador e sexy.
Você me olhou com aqueles olhinhos travessos e disse que era uma pena que eu já estivesse de pé. O plano era voltar a deitar na cama e me acordar sob uma chuva de beijos...Eu ainda estava abobalhada com a sua beleza contra a luz da manhã mas, sem dizer nada dei-lhe espaço para entrar.
Você segurava uma flor solitária nas mãos dizendo que saiu para comprar um presente e não achou nada mais romântico que ela. Eu estava mesmo muito abobalhada com a sua atitude e me condenando por ter pensado em milhões de desculpas esfarrapadas que você me daria...
Com os braços envoltos no teu pescoço repousei delicadamente minha boca na sua me concentrando no seu hálito doce, na sua pele macia...Você envolveu a minha cintura nos teus braços fortes e eu me senti segura e sua. Completamente sua, como nunca fui de ninguém.
Eu não fui trabalhar. Passei o dia inteirinho da cama para o sofá ou a cozinha. A sua companhia fazia a minha casa que antes era tão vazia tornar-se absurdamente atraente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário